Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018

Política
Domingo, 17 de Junho de 2018, 09h:56

DEPUTADOS SOB PRESSÃO

Risco de delação aumenta e ALMT se apressa para soltar Savi

Savi pode decidir pela colaboração premiada, delatando os parlamentares e outros políticos envolvidos no esquema do Detran-MT

Jô Navarro

reprodução/RDNews

Roque Anildo (primeiro da fila), Claudemir Pereira (camisa vermelha), irmãos Taques (gravata roxa e vinho) e Savi na fileira de trás na sala de audiência

O deputado Mauro Savi (DEM), preso há 38 dias, teve mais um recurso negado, desta vez no STJ. Na tarde de sexta-feira (15) a ministra Maria Thereza de Assis Moura, da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou habeas corpus impetrado pela Assembleia Legislativa para libertá-lo da prisão preventiva.

A Assembleia Legislativa aprovou a libertação de Savi, enviou para o TJMT, que manteve a prisão alegando que ele poderia 'camuflar' provas.

Na última segunda-feira (11) os procuradores da ALMT Bruno Williames Cardoso Leite e Grhegory Paiva Pires Moreira Maia enviaram recurso ao STF, antes mesmo da decisão da ministra Maria Thereza no STJ. O pedido de liberdade contesta decisões do TJMT/desembargador José Zuquim, que negaram seguidamente a soltura do parlamentar.

Mauro Savi foi preso no dia 9 de maio na operação Bônus, 2ª fase da operação Bereré, deflagrada pelo Nucleo de Ações de Competência Originária (NACO) e Grupo de Combate ao Crime Organizado (GAECO). O deputado foi acusado de liderar o esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro oriundo do Detran-MT avaliado em cerca de R$ 30 milhões.

No Centro de Custódia da Capital Mauro Savi recebeu visitas dos deputado Nininho e Max Russi (também investigados na operação Bônus) do ex-comandante geral da PM Cel. Denardi, além de uma comissão de servidores da Assembleia Legislativa, sob o argumento de que iriam inspecionar as instalações onde se encontrava recolhido o deputado, segundo relatado pelo promotor da Vara de Execuções Penais, Celio Wilson de Oliveira. O relato levou o desembargador José Zuquim a proibir visitas a Mauro Savi dos deputados que estão em liberdade e foram denunciados no esquema do Detran.

ALMT

Eduardo Botelho e Mauro Savi

Eduardo Botelho e Mauro Savi

A pressa dos parlamentares, sobretudo dos investigados na operação Bereré e Bônus, entre eles o presidente da Casa, Eduardo Botelho (DEM), se deve à pressão que Mauro Savi estaria fazendo de dentro do CCC. Para se livrar da prisão, Savi pode decidir pela colaboração premiada, delatando os parlamentares e outros políticos envolvidos no esquema.

Na mesma operação Bônus foram presos preventivamente o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, seu irmão, Pedro Zamar Taques, e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo” e José Kobori.

O envolvimento dos irmãos Paulo e Jorge Taques acaba lançando suspeitas sobre o primo deles, governador de Mato Grosso Pedro Taques (PSDB). Este é um dos pontos investigados, devido à proximidade e influência de Paulo Taques junto ao governador.

Reprodução/arquivo

Pedro Taques e Paulo Taques

Governador de MT Pedro Taques e o primo Paulo Taques

Paulo Taques era o braço direito do governador, foi chefe da Casa Civil e deixou o governo quando foi divulgado em rede nacional de televisão o escândalo que ficou conhecido como 'Grampolândia pantaneira'.

O esquema dos grampos ilegais foi denunciado à Procuradoria-Geral da República pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Justiça e hoje tramita sob sigilo no STJ.

Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO