Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2020

Política
Terça-Feira, 08 de Setembro de 2020, 13h:52

CNMP PUNE DALLAGNOL

O queijo levou a culpa, a imprensa é censurada. Quem poderá nos ajudar?

"O Brasil é o único país onde os ratos conseguem botar a culpa no queijo" - Millôr Fernandes

Jô Navarro

Agência Senado

Após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) puniu hoje (8) com censura, por 9 votos a 1, o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol. Na prática, ele não pode ser promovido durante um ano.

A decisão do ministro Gilmar Mendes, que acatou o pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) e determinou a retomada do julgamento no CNMP, em reclamação do investigado senador Renan Calheiros, que queixou-se ao CNMP depois que Deltan publicou nas redes sociais sua opinião sobre a possível reeleição do senador a presidente da Mesa Diretora, resultou nesta decisão repugnante. A mesma opinião era - e ainda é - a de milhares de brasileiros, que Renan Calheiros representa ameaça ao combate à corrupção no Brasil.

O que os brasileiros não sabiam naquela ocasião é que Davi Alcolumbre representa ameaça igual ou superior. Alcolumbre articula a reeleição, com a bênção do ministro Alexandre de Moraes, por meio de uma PEC.

A censura a Dallagnol é a mesma imposta a jornalistas e veículos de imprensa, dentre eles alguns de expressão nacional. Em Mato Grosso a realidade não é diferente. Diversos sites de notícias foram proibidos de mencionar nomes de alguns políticos, vários foram condenados por 'danos morais', numa tentativa de silenciar a verdade. Até integrantes do Judiciário processam veículos de comunicação em Mato Grosso, com tramitação célere e decisões monocráticas favoráveis aos autores. Em alguns casos a parte denunciada jamais foi chamada para audiência. A censura da toga soma-se à censura dos congressistas, hoje unidos para cercear a imprensa, arquivar denúncias e, pasmem, anular condenações de corruptos, como no caso do ex-presidente Lula da Silva, que tem tanta certeza que Sergio Moro será considerado suspeito e suas penas anuladas, que animou-se a lançar-se candidato a presidente em 2022.

Como disse Millôr Fernandes, "o Brasil é o único país onde os ratos conseguem botar a culpa no queijo".

O precedente aberto pelo CNMP e Judiciário é alarmante. Nesta lógica da censura os corruptos se fortalecem.

A articulação contra a Lava Jato tem apoio de ministros, deputados, senadores e líderanças partidárias da esquerda, centrão e direita, inclusive do presidente Jair Bolsonaro, que não consegue esconder seu envolvimento com esquema de rachadinha do filho Flávio Bolsonaro. O Presidente, que insiste que não há corrupção em seu governo, não explicou os depósitos feitos por Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro.

Cremos que há, ainda, bons políticos, bons promotores, bons juízes e ministros. A estes indagamos: o que os senhores farão para impedir os ratos de continuarem culpando o queijo?

 

 

 

 

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