Segunda-Feira, 25 de Março de 2019

Política
Quinta-Feira, 07 de Março de 2019, 18h:56

PREFEITURA DE CUIABÁ

Ativista diz que Emanuel deu ordem para ninguém atender seus pedidos na prefeitura

Estratégia perigosa adotada pelo alcaide cuiabano expõe como são tratados os que recusam-se a aplaudir

Jô Navarro

Arquivo pessoal

Cuiabá - Um grande buraco está aberto diante de uma residência no bairro Pedra 90 (2ª etapa), num local por onde passam crianças e idosos. É possível ouvir o barulho da água correndo, infiltrando o terreno e ampliando o buraco, que já avança para o local exato de passagem dos moradores.

Este problema - uma manilha rompida, infiltração e formação da cratera - foi comunicado à secretaria municipal de Obras Públicas há dois meses, mas nenhuma providência foi tomada. Alguns moradores da Rua 58 Quadra 238, na segunda etapa do Pedra 90, pediram ajuda do ativista social Mario Benevides, que tem conseguido solucionar algumas demandas da comunidade. Ele lidera uma bem sucedida campanha para a instalação de uma agência bancária no bairro e conseguiu doações de comerciantes para construir e instalar com ajuda de amigos um abrigo na parada de ônibus.

Apesar do empenho do ativista social junto à secretaria de Obras Públicas, ouviu de funcionários que "receberam ordem do prefeito Emanuel Pinheiro para que não atendessem nenhuma reivindicação de serviços feitas por Mário Benevides". 

O ativista diz ter ouvido de servidores e até de vereadores que ele tem "denunciado muitos problemas, além disso não é presidente de bairro, nem vereador" e tem "batido" na prefeitura, por isso o prefeito "mandou"  não atenderem seus pedidos de reparos no bairro.

Inconformado com a situação e diante do agravamento do risco no local devido às fortes e frequentes chuvas, Benevides não desistiu e continua cobrando solução para este caso por meio de suas redes sociais e pergunta: "O que vai acontecer se alguém cair lá dentro? Depois que alguém se machucar ou morrer, vão fazer o quê?"

Estratégia perigosa
A estratégia do alcaide cuiabano neste caso é semelhante à adotada contra jornalistas e formadores de opinião que escolhem dizer a verdade sobre as falhas e suspeitas de ilícitos na administração municipal, bem como os processos e investigações que pesam contra o gestor.

São considerados inimigos pessoais aqueles que não esqueceram o 'vídeo do paletó' e não deixam que outros esqueçam, os que repercutem na mídia as decisões da conselheira de contas Jaqueline Jacobsen, que tem sido a pedra no caminho do prefeito, denunciando irregularidades e suspendendo licitações milionárias. São considerados inimigos pessoais os vereadores que denunciam ilícitos na Saúde, na Comunicação, em licitações.

Um exemplo é o que tem passado o ator André D'Lucca, que por meio de sua personagem Almerinda revelou que Emanuel Pinheiro é o seu "bandido favorito", denunciou a manipulação de vereadores da base que "aprovam tudo que ele manda sem ler", como o empréstimo milionário em dólar que ficará para a próxima gestão pagar. Na semana passada D'Lucca fez um relato comovente e sofrido em sua rede social, avisando que vai parar de falar de política. Contou como sua casa foi invadida, destruída e seus objetos pessoais levados. Sentiu-se ameaçado desta forma, entrou em depressão diante do sentimento de impotência diante dos poderosos. Afinal, Mato Grosso é o estado onde, ainda, os corruptos são premiados com cargos vitalícios por seus pares.

A esperança de quem não se cala, como Mário Benevides, como alguns jornalistas na Capital, dentre os quais me incluo, do grupo de vereadores da oposição, é que uma chama de esperança começou a brilhar no Ministério Público com a posse do procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira. 

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