Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019

Mato Grosso

Domingo, 28 de Abril de 2019, 07h:08

DISPUTAS CONECTADAS

Radiografia das eleições municipais será decisiva para eleições de 2022

Cícero Henrique

Reprodução

Eleições 2020

Há truísmos sobre eleições. Primeiro, a um ano e seis meses do pleito, costuma-se dizer: “Está cedo para discutir eleição”. Na prática, todos estão debatendo o assunto, inclusive o que dizem isso. Frise-se que a máxima atribuída a Tancredo Neves permanece válida: “Em política, não há cedo — só tarde”. Em segundo lugar, políticos têm o hábito de afirmar que não vão disputar, até porque têm assuntos mais sérios a tratar, como a administração pública, mas encomendam pesquisas com frequência e sondam marqueteiros e aliados a respeito da questão. Terceiro, ouve-se comumente que “toda eleição é a mesma coisa”. A máxima raramente é verdadeira. Cada eleição tem sua história ainda que, na aparência, uma seja a “cara” da outra. Os pré-candidatos às eleições de Mato Grosso em 2020 já começaram a se articular.

O pleito de 2020 terá pelo menos duas novidades: a cláusula de barreira e o fim das coligações partidárias nas disputas proporcionais. E, mais, é a partir da próxima disputa que se ampliará ou não as bases para as eleições majoritárias e proporcionais de 2022. De certa forma, é possível indicar que 2020 está “grávido” de 2022. Por isso, enquanto dizem que está cedo para discutir eleição, deputados e líderes percorrem os municípios reformatando suas bases e recrutando “novos” políticos aos seus partidos. 

Mudanças

O fim das coligações proporcionais obriga todos os partidos a lançarem chapas exclusivas de candidatos a vereador na eleição do próximo ano. Noutras palavras, para citar um exemplo, o PP do ex-ministro Blairo Maggi e o MDB do deputado federal Carlos Bezerra podem coligar-se para prefeito, inclusive com um partido lançando o candidato a prefeito e o outro lançando o vice-prefeito. No entanto, para vereador a coligação está vedada. Há também a questão de que políticos populares poderão se eleger, mas seus votos não podem ser contados para os parceiros. As restrições têm o objetivo de conter o “efeito Tiririca” (o deputado federal que chegou a levar para Brasília cinco deputados).

A maioria dos partidos deve lançar candidatos a prefeito porque, além da possibilidade de eleger o prefeito, o partido “X” o terá como puxador de votos. Os postulantes ao Legislativo, por sua vez, puxam votos para os candidatos a prefeito. Com a maior parte dos partidos participando com chapa completa — com um representante para cada cargo — entra em jogo a questão do fundo partidário (definido pelo número de deputados federais, que, por seu turno, são bancados por prefeitos e vereadores), do fundo eleitoral e, igualmente relevante, a própria existências dos partidos.

Resultado

A tendência é que, devido à cláusula de barreira, caia o número de partidos políticos a médio prazo. A partir das próximas votações, a cláusula de barreira impedirá o acesso ao fundo partidário por parte de partidos com baixo desempenho eleitoral. 14 legendas foram excluídas das reservas financeiras com base nos resultados de 2018: Rede, Patriota, PHS, DC, PC do B, PCB, PCO, PMB, PMN, PPL, PRP, PRTB, PSTU, PTC. Para sobreviver, Patriota e PRP fundiram-se e “voltaram” ao jogo político. O Podemos e o PHS estão concluindo a fusão. Nanopartidos que não seguirem a cartilha das fusões podem encomendar “caixão e vela preta”.

Em 2022 será necessário emplacar nove deputados de nove Estados diferentes ou obter o mínimo de 1,5% dos votos válidos para deputado federal. As mudanças já se fizeram sentir. A cláusula de barreira ocasionou a dissolução de alguns partidos, como o PRP e o PHS. 

Cuiabá

Além do PSL, alguns dos partidos já conversam abertamente sobre seus pré-candidatos a prefeito. Em Várzea Grande não é diferente.

Incerto

O PSDB discute, nos bastidores, alguns nomes para prefeito: Até o nome do ex-governador Pedro Taques chegou a ser ventilado, já que não há empecilho político ou judicial à candidatura, pois não tem condenação judicial em primeira ou segunda instância.

O senador Jayme Campos disse que é cedo para “levantar” nomes, mas, ao mesmo tempo, trabalha para aumentar sua musculatura político-eleitoral. Líderes do partido sugerem, em reuniões, que é preciso discutir bandeiras e projetos. 

Articulam

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) está numa encruzilhada. Se for candidato, poderá se tornar o Pedro Taques(derrotado e governador de um mandto só) de 2020. Mas o emedebista avalia que, se for bem nos últimos dois anos, os eleitores esquecerão os dois primeiros anos — que até aliados admitem que foram “muito ruins”, sem obras, com a cidade encardida. O MDB tem uma alternativa: Janaina Riva. Esta já disse que, se Emanuel Pinheiro for candidato, está fora do páreo. Se não disputar, é o nome mais consistente do MDB.

Até mesmo a senadora Selma Arruda vem sendo sondada para disputar o pleito municipal. Outros nomes fortes vem sendo sondado pela oposição, como da Secretária adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor, Gisela Simona Viana de Souza (PROS) e do veredor Diego Guimarães (PP).

Outros municípios decisivos para as eleições de 2022,  são as cidades de Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Lucas do Rio Verde, Tangara da Serra.

 

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