Caldeirão Político

Segunda-Feira, 11 de Novembro de 2019, 16h:44

Ativista denuncia: Lumen ainda não retomou obras no Jonas Pinheiro III

Advogado aponta relação familiar de secretário de Habitação com defensor da construtora Lumen; prefeitura não foi incluída na ação de reintegração de posse

Jô Navarro

Os cidadãos expulsos do residencial Jonas Pinheiro III no último dia 6 voltaram no domingo (10) ao local onde residiam para conferir se as obras foram retomadas pela Lumen Construtora. A empresa deveria retomar as obras no prazo de 24 horas após a retirada dos invasores, mas limitou-se, até o momento, a isolar o residencial com arame farpado e telhas quebradas. "Nem sequer uma cerca nova eles fizeram", disse para o Caldeirão Político o advogado das famílias, Dr. Daniel Ramalho.

Arquivo pessoal

Daniel RamalhoDaniel Ramalho 


O advogado não desistiu de recorrer à Justiça para reverter a desocupação, que considera injusta e ineficaz, já que a construtora decretou falência e dificilmente conseguirá retomar as obras e concluir o residencial, cujas ruas ainda não têm pavimentação e infraestrutura.

Acompanhados do ativista Mario Benevides eles fizeram uma live (Assista aqui) mostrando o residencial. Vários desalojados questionaram o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), sobre as promessas feitas quando esteve no local com o filho, hoje deputado federal Emanuelzinho, durante a campanha deste em 2018.

Os desalojados denunciaram o desaparecimentos de bens retirados de suas casas durante o trajeto até o local onde foram depositados. Segundo uma das manifestantes, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária disponibilizou um imóvel pequeno, a titulo de aluguel social, para abrigar 20 pessoas. "Uma pecinha com banheiro, com uma escada alta, para 20 pessoas", disse uma das manifestantes.

Praeiro no Fórum

Dr. Daniel Ramalho relatou para a reportagem que no dia 5, quando os moradores estavam diante do Fórum aguardando o julgamento de manifestação nos autos, o secretário de Habitação do município de Cuiabá reuniu-se com o juiz responsável e, ao sair, afirmou que as casas seriam desocupadas no dia seguinte. Ao deixar o Fórum, Praeiro foi vaiado pelos manifestantes.

"O advogado da Lumen Construtora, autora da ação de reintegração de posse, Dr. Tabajara Aguilar Praeiro Alves, é filho de Air Praeiro. O secretário esteve com o juiz e ao sair afirmou, antes que ele tivesse se manifestado nos autos, que a desocupação seria mesmo no dia seguinte. Ele foi filmado saindo de lá e foi vaiado pelos manifestantes", observou Daniel Ramalho.

Apesar disso, a ordem judicial em favor da Lumen Construtora foi dada sem que a Prefeitura de Cuiabá, litisconsorte, integrasse o feito. A área onde foi erguido o residencial foi doada pelo município, daís a necessidade de integrar a ação. A obras estavam paralisadas há 6 anos quando as casas foram ocupadas por mais de 400 famílias.

Outro lado

A reportagem entrou em contato por meio do Whatsapp com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá. Encaminhamos o seguinte questionamento: "Segundo nos foi relatado por testemunhas oculares, o secretário Air Praeiro reuniu-se com o juiz que julgou o recurso que pedia a suspensão da desocupação do residencial Jonas Pinheiro pouco antes dele registrar nos autos a decisão. Ao sair , Praeiro confirmou que a desocupação estava mantida. Qual foi o teor da conversa do secretário com o juiz? como ele poderia saber da decisão antes da manifestação oficial do magistrado?"

Até o momento desta publicação a resposta ainda não foi enviada pela Sicom. O espaço segue aberto.

Não conseguimos contato com a defesa da Lumen Construtora.


Fonte: Caldeirão News

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