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Sexta-Feira, 03 de Agosto de 2018, 12h:59

SAÚDE

Técnica com células-tronco traz esperança a 3 milhões de brasileiros com degeneração macular

Método apresentou melhora expressiva em 80% dos pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Doença não tem cura e pode levar à perda total da vista.

Redação

Wikimedia Commons / Domínio público

A degeneração macular afeta 3 milhões de brasileiros e ainda não tem cura.

A degenação macular é uma doença incapacitante de retina que atinge 8,7 dos idosos no mundo. No Brasil, estima-se que 3 milhões de pessoas sofrem deste mal. Quem recebe o diagnóstico da doença é informado que não há tratamento e a cegueira é inevitável. Os pacientes são orientados a tomar um complexo de vitaminas e antioxidantes para tentar protelar a perda de visão.

Por isso a pesquisa bem sucedida de médicos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto devolve a esperança para os 3 milhões de brasileiros diagnosticados com a Degenaração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

A técnica consiste no autotransplante de células-tronco derivadas da medula óssea, feito por meio do procedimento de injeção intraocular. O tratamento mostrou melhora da visão e maior estabilidade na fixação em pacientes com degeneração macular relacionada à idade. O resultado positivo atingiu, principalmente, aqueles menos comprometidos, e ainda, mostrou melhora da qualidade de vida desses pacientes. O procedimento fez parte do estudo da oftalmologista Carina Costa Cotrim do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP.

Participaram do procedimento dez pacientes com mais de 50 anos que apresentavam a degeneração macular seca avançada. O material da medula de cada paciente foi coletado no próprio Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, por meio de punção do osso da bacia, procedimento considerado simples pelos especialistas. “A medula óssea aspirada é rica em células que podem se transformar em outras células e também apresentam grande potencial em liberar fatores de crescimento que melhoram o ambiente da retina e resgatam aquelas células doentes.”

Até o momento, não existe nenhum tratamento efetivo e, portanto, é de grande importância estudos nessa área

O material coletado foi processado e as células-tronco isoladas nos laboratórios do Hemocentro do Hospital das Clínicas da FMRP e injetado em uma quantidade de 0,1 ml no olho de pior visão. Após a injeção, os pacientes foram acompanhados de três em três meses até completar um ano. Nesse período, diz a pesquisadora, passaram por procedimentos como medida da melhor acuidade visual corrigida, microperimetria, eletrorretinografia, autofluorescência, angiofluoresceinografia e tomografia de coerência óptica para avaliar a função visual e, também, responderam questionários para avaliar a qualidade de vida.

Segundo Carina, trata-se de uma análise inicial para o uso dessas células no tratamento da Degeneração Macular Relacionada à Idade ( DMRI) na forma seca, uma doença incapacitante, que leva a cegueira e afeta 8,7% dos idosos no mundo. “Até o momento, não existe nenhum tratamento efetivo e, portanto, é de grande importância estudos nessa área.” ressalta a pesquisadora.

Durante todo acompanhamento, afirma Carina, o tratamento mostrou-se seguro e o exame de angiofluoresceinografia não apresentou crescimento de vasos indesejados ou tumores na retina. “Houve melhora da visão da maioria dos pacientes tratados assim como maior estabilidade na fixação. Os idosos com menor grau da doença, ou seja, menor atrofia, apresentaram melhor evolução que aqueles com maior atrofia.

Divulgação

Dra. Carina Costa Cotrim

Dra. Carina Costa Cotrim

Para Carina a explicação para esse dado está no possível resgate funcional das células que ainda não morreram, mas não funcionam devido ao sofrimento. “Na avaliação da qualidade de vida, houve melhora significativa com ênfase na melhora da visão de cores e na saúde mental desses pacientes já aos seis meses de acompanhamento”.

Carina lembra que diversas células-tronco estão sendo estudadas para as doenças oculares em todo o mundo. Células semelhantes às utilizadas em seu estudo também foram avaliadas pela pesquisadora Susanna Park na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos e também mostraram resultados animadores. A pesquisadora lembra, ainda, que o número de pacientes na pesquisa brasileira foi pequeno, por isso novos estudos devem ser realizados para ampliar os testes e confirmar os resultados.

O artigo “Uso intravítreo de fração mononuclear da medula óssea (FMMO) contendo células CD 34+ em pacientes portadores de degeneração macular relacionada com a idade na forma atrófica” (Intravitreal use of bone marrow mononuclear fraction containing CD34+ stem cells in patients with atrophic age-related macular degeneration) foi publicado na Revista Clinical Ophthalmology, no ano passado e resultado do mestrado de Carina. Assinam o artigo, além de Carina, Luiza Toscano, André Messias, Rodrigo Jorge e o professor Rubens Camargo Siqueira, que foi orientador do mestrado, defendido em 2016.

(Fonte: Jornal da USP)

 

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