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Sexta-Feira, 13 de Outubro de 2017, 09h:52

ESTILO DE VIDA

Por que os brechós de luxo atraem as socialites brasileiras

Clara Cerioni

Julia Ribeiro/Divulgação

TrashChic brechó

Vestidos clássicos à moda Jackie Kennedy, ternos femininos de alta costura, bolsas esplendorosas e joias de  invejar. Isso é só uma mostra do arsenal que o brechó de luxo TrashChic, um dos mais tradicionais de São Paulo, reúne em dois andares de uma elegante casa nos Jardins, bairro de alto padrão da capital. Com preços que vão de R$ 249 em um cinto a R$ 8.499 em uma bolsa, o espaço é referência no mundo do luxo paulistano.

Ali, os irmãos Loly Monfort e Joca Benavent atendem, há 25 anos, aos desejos de mulheres da alta sociedade, que buscam produções de grifes internacionais, como Chanel, Yves Saint Laurent e Dior, a um preço mais acessível. Imersa em meio aos vestidos longos e coloridos, ora olhando para o espelho, ora conversando com uma das atendentes, estava a assessora de moda Mila Camargo, mas enfatizou que mudou seu nome para Mila de Ac (e quer ser chamada assim). Ela conta naturalmente e mexendo os longos e lisos cabelos que frequenta o brechó há 20 anos e nunca encontrou nada parecido em outro lugar do país. “Esse modelo de negócio é tão visto no exterior, mas aqui não existe. Eles são únicos”, conta.

Ao ser questionada que as roupas de brechós em sua maioria não são mais tendências das grifes, ela, pacientemente, explica que sabe valorizar o “artesanato” que as roupas de alta costura carregam. “A mágica está em perceber que peças de grife são atemporais, por isso não há motivo para desejar apenas as novas coleções. Eu sou apaixonada pelo atual, mas o tradicional e clássico nunca ficarão para trás”.

A sócia Loly também não se deixa intimidar pela mesma pergunta. Mostrando com dedicação as peças exclusivas que conquistou nesses anos de trabalho fala que suas clientes sabem o que querem e seguem o princípio do “reduce, reuse, recycle”, ou seja, de consumir a moda com consciência. “A possibilidade de dar uma segunda vida às roupas incentiva a sustentabilidade. Sem contar que só vendemos peças únicas, ou seja, a cliente sai da loja sabendo que veste algo que é praticamente só dela”, diz.

Origem das peças e acessórios

Para montar um brechó de luxo é preciso muito cuidado na hora de escolher os fornecedores das peças. Ter certeza da originalidade e do estado de conservação das peças e acessórios é fundamental. Segundo Loly, se essas características não forem priorizadas, corre-se o risco de vender um mau produto.

Na TrashChic, por exemplo, a seleção de novas fornecedoras é bastante criteriosa. É preciso preencher um formulário inicial com, no mínimo dez peças, para uma pré-avaliação. Caso as roupas tenham o perfil da loja, elas ficam à venda em consignação e o pagamento é feito um mês depois da venda. Peças avulsas não são aceitas e sapatos apenas novos ou usados uma vez.

(TrashChic/Divulgação)

Outra alternativa é a compra das roupas por meio de leilões. Essas, normalmente, são bem específicas e carregam uma história que as valorizam. Muitas vezes, elas ficam no acervo do brechó, que deve se tronar livro ou exposição, em breve, revelou a Loly.

A terceira possibilidade são as peças novas, que são vendidas ainda com etiqueta, mas com preços mais em conta. Segundo Loly isso acontece quando as fornecedoras ganham das grifes ou compram fora e não querem mais usar.

Universo feminino

A maior parte dos brechós de luxo da capital são voltados exclusivamente para peças femininas e transformam o espaço em uma verdadeira experiência de compra. “No começo vendíamos roupas para os dois, mas um atrapalhava o outro. Aqui é um lugar em que elas se sentem muito a vontade e desfilam pelos ambientes com leveza e em roupão de seda, como se estivessem em casa. Se tem um homem elas ficam intimidadas e a venda não sai nem para um nem para outro”, explica Loly.

(TrashChic/Divulgação)

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