Sábado, 15 de Dezembro de 2018

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Sexta-Feira, 30 de Novembro de 2018, 13h:06

FACÇÃO EM CÁCERES

Advogada é presa em Cáceres durante operação contra facção criminosa

Segundo a investigação, advogada frequentava a sociedade cacerense e atuava como "olheira", identificando carros de luxo e avisava a facção que planejava os roubos

Redação

Divulgação/PJC

A Delegacia Especial de Fronteira (DEFRON), da Polícia Judiciária Civil, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Grupo Especial de Fronteira – GEFRON, 6º Comando Regional de Polícia Militar de Cáceres, Delegacia Regional de Cáceres e Sistema Penitenciário, desencadeou na manhã desta sexta-feira (30), a Operação “Organización”, onde foram cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e 06 mandados de busca e apreensão domiciliar contra integrantes da uma facção criminosa Comando Vermelho que atuava na região de Cáceres.

Durante a operação foi presa a advogada  Railla Weisa Campos Silva, que atua em Cáceres e que, segundo as investigações, possui vínculo com integrantes da organização criminosa que ultrapassam os limites da relação advogado-cliente. A mulher de 26 anos vai responder pelos crimes de falsa comunicação de crime, organização criminosa, associação para o tráfico, estelionato e roubo (por realizar, entre outros atos, levantamentos de carros de luxo/caminhonetes, que avistava em ambientes da alta sociedade que frequentava, e repassar as informações para a facção que planejava os roubos). Um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), acompanhou o cumprimento do mandado de prisão.

Os trabalhos investigativos duraram seis meses e apontaram que a organização criminosa era formada em sua maioria por reeducandos de unidades prisionais do município.

A delegada de polícia Cinthia Gomes da Rocha Cupido, titular da DEFRON, coordenou as investigações. “Por meio de um trabalho técnico e intenso foi possível apontar o papel de cada membro dessa facção criminosa que está por trás da prática de crimes como roubo, tráfico de drogas, furtos, receptação, etc. Eles realizavam 'filiação/batismo', inclusive com números de suas respectivas matrículas, para a prática de diversos delitos”.

Segundo a delegada, restou comprovado no transcorrer das investigações que as ordens partiam de lideranças presas em Cáceres e eram repassadas para o “Conselho Final” da rua, que na hierarquia da organização, detinham maior poder de comando junto às lideranças intermediárias, intituladas como “vozes finais”, que repassavam as “ordens/visão” aos “disciplinas”, que executavam do lado de fora os crimes.

Em procedimento de busca realizado no interior da Cadeia de Cáceres foi possível identificar a logística da facção. Abaixo de uma beliche – apelidada de “jega” - foi apreendido material farto da contabilidade de entrada e saída de dinheiro da caixinha e movimentação capitaneadas pelas “lojinhas/biqueiras” (bocas de fumo), que tinham como regra o fato de que os “boqueiros” só podiam fazer a aquisição de drogas de membros da própria facção ou por eles indicados, bem como, tabelavam o preço da droga a ser revendida.

A delegada Cinthia Cupido reforça que todas as lideranças, da maior a menor, foram presas durante a operação, "que tem como principal vertente, impedir o crescimento e ramificações da facção em outras regiões”.

Os membros da organização criminosa possuíam funções específicas, com tarefas definidas, visando ganhar dinheiro para manterem a organização, com compra de armas e drogas para revenda, bem como proporcionar aos integrantes da facção , defesa jurídica durante fase processual.

Os presos foram autuados pelos crimes de organização criminosa, Lei nº 12.850/2013 (cuja pena varia de 03 a 08 anos), associação e tráfico de drogas, com pena prevista de 05 a 15 anos, roubo e estelionato, além de falsa comunicação de crime,

Os detidos permanecem à disposição da Justiça, reclusos na Cadeia Pública de Cáceres.

A Operação “Organización” mobilizou cerca de 50 policiais. Foram utilizadas 12 viaturas.

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