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Sexta-Feira, 03 de Agosto de 2018, 09h:24

LAVA JATO

Operação Hashtag: banqueiro é preso por lavagem de R$ 90 milhões

Eduardo Plass e duas sócias minoritárias tiveram a prisão decretada por lavagem de mais de R$ 90 milhões envolvendo a joalheira HStern

Redação

Reprodução/TV Globo

Banqueiro Eduardo Plass é preso na operação Lava Jato

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta sexta-feira (03), a Operação Hashtag, com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão, além de prisão temporária do banqueiro Eduardo Plass e duas sócias minoritárias, por lavagem de mais de R$ 90 milhões envolvendo joalheira de luxo HStern na Zona Sul da capital fluminense. Eduardo Plass já havia sido conduzido coercitivamente, no ano passado, quando foi deflagrada a Operação Eficiência, que apurou ocultação de mais de US$ 100 milhões do ex-governador Sérgio Cabral no exterior. O banqueiro foi presidente do Banco Pactual e é sócio majoritário do TAG Bank, no Panamá, e da gestora de recursos OPUS.

 As investigações do MPF apontam crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas cometidos pelos investigados, comandados por Eduardo Plass. O esquema consistia no recebimento de dinheiro em espécie dos diretores administrativos de joalheria em Ipanema, Zona Sul do Rio, e, posteriormente, transferência no exterior de valores de uma conta sob seu controle (The Adviser Investmentes Limited S.A.) para uma empresa offshore de fachada (Fleko S.A. ou Erposition S.A.), que, por sua vez, ainda transferia esses valores para uma outra empresa offshore de fachada (Robilco S.A.), e que, por fim, transferia os valores para a empresa holding do grupo da joalheria.

 Para dar aparência de legalidade às transações, a equipe de Eduardo Plass assinava contratos fictícios de empréstimos com os diretores da joalheria, muitos deles com datas retroativas ideologicamente falsas, forjados como se fossem empréstimos entre a empresa The Adviser Investments e as offshores Fleko e Erposition, que recebiam os valores no momento inicial de cada transação.

 Assim, durante o período em que se realizaram essas transações ilegais, entre 2009 e 2015, foi cometida uma série de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, pelos diretores da joalheria, que agora colaboram com as investigações do MPF, e pelos investigados Eduardo Plass, Maria Ripper Kos e Priscila Moreira Iglesias.

 No total, foram entregues em espécie e transferidos no exterior em dólares os valores equivalentes a U$ 24.371.000,00, em reais, mais de 90 milhões. O MPF pediu o bloqueio deste valor a título de reparação de danos e valor equivalente a título de danos morais, totalizando o valor de R$ 181 milhões.

 “O que chama a atenção neste caso é o próprio banqueiro fazer operações de dólar-cabo a fim de lavar capitais. Com isso, fica comprometida toda regulação de compliance. É como se o árbitro de futebol entrasse em campo, por baixo do uniforme, com a camisa de um dos times, encobrindo ativamente jogadas desleais”, analisam os procuradores da força-tarefa.

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