Quinta-Feira, 02 de Julho de 2020

Brasil

Domingo, 09 de Fevereiro de 2020, 07h:15

DIFERENTE DE CUIABÁ

Fortaleza investe R$ 1,5 bilhões em 700 obras

Ítala Alves Magno Martins

Reprodução

Fortaleza

Diferente do Recife, cujas obras andam a pssso de tartarugas, como é o caso do Geraldão, Fortaleza virou um grande canteiro de obras. A cidade parece escavada de canto a canto. São investimentos da ordem  de R$ 1,5 bilhão, 700 obras nas sete regionais da cidade, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade. 

São obras nas áreas da saúde, educação, infraestrutura, mobilidade e meio ambiente. Todas com recursos garantidos, em parceria com bancos internacionais, nacionais, e os governos do Estado e Federal.

“São obras  principalmente nos bairros e áreas mais pobres. Além do efeito direto da intervenção da obra, do benefício social de equipamentos novos, num momento de crise, a gente tem dinheiro público gerando emprego, renda na construção civil, que é algo também muito importante para economia da cidade”, diz o prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Dentre tantas obras que saem do papel no pacotão da Prefeitura, o Hospital da Criança, o Novo Parque das Crianças; Parque Ecológico do Passaré 1ª etapa; requalificação do Parque Rachel de Queiroz — obra com duração de até 3,5 anos —; requalificação da Orla do Rio Ceará; construção de postos de saúde, escolas, creches, areninhas, ecopontos e reformas de praças.

Tem obras também de proteção ambiental da cidade.."Lagoas e parques que, a despeito de serem áreas de proteção, nunca foram recuperadas, revitalizadas, e agora recebem investimento”, disse o prefeito. Segundo ele, são áreas que sofrem com alagamentos em períodos chuvosos e que ganham drenagem, urbanização, pavimentação e correção de leito de lençóis freáticos subterrâneos.

O pacote de obras conta com financiamento de seis bancos nacionais e internacionais, como Caixa Econômica Federal, Santander, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e Banco Mundial.

O planejamento financeiro, segundo a Prefeitura, garante obras concluídas sem atrasos por falta de recurso.

“Não teremos nenhum risco financeiro de alguma obra atrasar ou não ser finalizada por falta de recurso. Todas elas tiveram seu recurso garantido via parceria com o Governo do Estado, Federal, mas, principalmente, através de novos financiamentos internacionais, nacionais, que já foram efetivados”, reforçou Roberto Cláudio.

Em infraestrutura são R$ 710,6 milhões, incluindo reforma de 150 praças (R$ 30 milhões), 47 Areninhas (R$ 70 milhões), drenagem e pavimentação (R$ 450 milhões), pavimentações diversas (R$ 150 milhões), 59 novos Ecopontos (R$ 8,12 milhões) e Ginásio Aécio de Borba (R$ 2,5 milhões).

Na educação, R$ 375,75 milhões: 155 novas reformas de escolas e quadras (R$ 38,75 milhões), 26 novas escolas (R$ 247 milhões), 36 novas creches de tempo integral (R$ 90 milhões).

Em Urbanização e Meio-Ambiente (R$ 217 milhões): Parque Rachel de Queiroz (R$ 18 milhões), Novo Parque das Crianças (R$ 15 milhões), requalificação da Orla do Rio Ceará (R$ 20 milhões), Parque Ecológico do Passaré 1ª etapa (R$ 17 milhões). 

E tem mais: revitalização de parques e Lagoas: R$ 20 milhões para a Lagoa da Viúva, no Siqueira; R$ 4 milhões para a Lagoa da Maraponga; R$ 15 milhões para o Parque Riacho Maceió; R$ 15 milhões para a Lagoa do Mondubim e R$ 15 milhões para a Lagoa do Porangabussu.

O pacote inclui ainda requalificação e ordenamento de ambulantes (R$ 6 milhões na Praça José de Alencar e R$ 1 milhão no Passeio Público) e urbanização em áreas de extrema carência (R$ 71 milhões).

Na área da Saúde, sete novos postos (R$ 5,9 milhões), reforma de outros (R$ 7,5 milhões), implementação do Hospital da Criança (R$ 19.647.879,20), reforma de hospitais (R$ 21.043.557,04). Tem ainda CAPS infantil no Bom Jardim (R$ 1,5 milhão), clínica veterinária no Passaré e novo Vetmóvel (R$ 1,2 milhão). Ainda o Programa Médico da Família Fortaleza (R$ 19 milhões/ano, com a contratação de 140 profissionais). 

Já na mobilidade urbana são 160,1 milhões, incluindo: miniterminais (R$ 15 milhões), requalificação de calçadas, canteiros e pavimentos (R$ 15 milhões na Av. Fernandes Távora e R$ 20 milhões na Av. José Bastos), requalificação das vias, calçadas e canteiro central: R$ 7,5 milhões na Av. Desembargador Moreira, R$ 6 milhões nas Avs. Hist. Raimundo Girão/Br. de Studart, R$1,5 milhão na Rua dos Tabajaras, R$ 10 milhões nas ruas Vicente de Castro/ Adolfo Caminha e João Moreira; e R$ 1,5 milhão na Av. Dom Luís, novos binários (R$ 18,68 milhões).

Os recursos garantem ainda a requalificação de corredores de ônibus e alargamento das vias (R$ 30 milhões para a BR-116 e R$ 20 milhões para a Av. Sgt. Hermínio), novas ciclofaixas (R$ 6,4 milhões), 130 novas estações do Bicicletar (R$ 8,6 milhões), ar-condicionado nos ônibus.

Na área de Proteção Social e Cultura são R$ 29,68 milhões:10 torres de segurança (R$ 23 milhões). Na Agricultura urbana (R$ 1,68 milhão); Cinemas nos terminais (R$ 1 milhão); Meu Bairro Empreendedor (R$ 2 milhões no Bom Jardim e R$ 2 milhões no Mucuripe).

Por fim, novos conselhos tutelares, programa Moradores de Rua e luz branca em 100% dos bairros de Fortaleza. Na orla, a Prefeitura orçou em R$ 68 milhões a obra no principal ponto turístico de Fortaleza: a praia de Iracema.

À requalificação inclui  80 metros de faixa de areia mar adentro. É parte de uma ampliação do calçadão da Beira Mar, com a instalação de quiosques padronizados e equipamentos de esporte. A areia retirada do fundo do mar já cobriu toda uma área que antes era uma barreira formada por rochas. A água do mar ia até ali perto. 

Na prática, Fortaleza ganhou mais uma praia, mas ambientalistas alertam que muitas espécies marinhas podem ser prejudicadas.

"Nesse solo embaixo da água a gente tem os recifes de arenito e recifes de coral. Esses recifes são a base da cadeia alimentar para uma rica diversidade de peixes nativos do Ceará. E esses peixes, por sua vez, vão ser fonte de alimento para as tartarugas, para os golfinhos e para peixes maiores. O que nós podemos ver é um impacto imediato com o soterramento dessa base da cadeia alimentar", explicou o biólogo Gabriel Lima.

A Prefeitura de Fortaleza diz que levou em conta estudos de impacto ambiental. "Foram feitos estudos, recolhimento de amostras, mergulhos, estudos batimétricos. Juntos, apresentados ao Ministério Público, e após só a comprovação de que o local onde a gente retirar areia, a jazida desse local, ele não traria nenhum impacto ambiental de grande porte aqui para essa área da cidade”, afirmou a secretária de Infraestrutura de Fortaleza, Manuela Nogueira.

A Prefeitura diz que além dos estudos encomendados não revelarem este impacto ambiental, a obra tem a função de conter a ameaça de avanço do mar. "Essa obra, além de necessária para a cidade pela questão do turismo, da economia, do desenvolvimento da cidade, era necessário para conter esse possível avanço que se não fosse feito à essa época, a gente poderia ter que fazer isso a medida de urgência para evitar um transtorno bem maior para cidade de Fortaleza", afirmou a secretária Manuela Nogueira.

Já na área de mobilidade urbana, Fortaleza tem mais integração aos usuários de transporte público. Saiu do papel a Linha Leste do Metrô, ligando o Centro da Capital ao Papicu em um tempo de viagem de 15 minutos. Com isso, o empreendimento opera com capacidade de transportar até 150 mil passageiros diariamente. 

No novo trecho são 7,3 km de extensão ligando o Centro ao Papicu, com uma estação de superfície (Tirol-Moura Brasil) e outras quatro subterrâneas (Chico da Silva, Colégio Militar, Nunes Valente e Papicu). A intervenção consolida um investimento em estrutura que será referência para toda a região Nordeste.

“Faz parte desta expansão a construção da Linha Leste, com 7,3 km, interligando à Linha Sul do Metrô e ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que já está em operação assistida, a interligação do VLT Parangaba- Mucuripe, Linha Sul Pacatuba-Centro – interligando lá na Parangaba com o VLT, e integrando também com a Linha Oeste que vem de Caucaia. Fortaleza tem o melhor sistema metroviário interligado de uma capital do Nordeste brasileiro", diz o governador Camilo Santana (PT).

A Linha Leste do Metrô de Fortaleza disponibiliza de investimento na ordem de R$ 1 bilhão financiado pelo BNDES, além de R$ 673 milhões do Governo Federal e R$ 186 milhões do Tesouro Estadual.

 

 

Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO