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Sexta-Feira, 31 de Agosto de 2018, 08h:05

MARCELO FERRAZ

Candidatos insanos, a literatura explica!

Marcelo Ferraz*

Divulgação

Duas obras literárias genuinamente de escritores brasileiros que fascinam qualquer leitor: “A Luneta Mágica” - de Joaquim Manuel de Macedo (1820 – 1882) e “O Alienista” – este último de autoria do patrono da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis (1839-1908).

Com efeito, ambos os livros podem nos trazer à baila dos debates políticos, seja nas redes sociais ou nas conversas de amigos, alguns apontamentos sobre os candidatos à presidência da república. Porém, fazer uma analogia daquelas obras com tal assunto será um trabalho hercúleo, mas, de suma necessidade para tentar clarificar as ideias no mundo nebuloso da política de hoje em dia.

Assim, “A Luneta Mágica” conta a história de Simplício, um rapaz inocente que sofria de miopia. Então, certo dia, ele procura ajuda de um mágico Armênio (especialistas em lentes) que poderia ajudá-lo. Simplício tinha ânsia de enxergar e vai ao encontro do mágico. Depois de um ritual, o Armênio entrega ao míope uma luneta com a qual ele poderia enxergar quase tudo agora. Mas, há uma advertência: ele não deveria fixar a luneta por mais de três minutos sobre nenhum objeto ou pessoa, se não acabaria vendo “o mal” delas.

Agora, imagina se eleitor brasileiro pudesse lançar mão deste fabuloso instrumento literário – A luneta de Simplício - para analisar o verdadeiro caráter dos candidatos?

Caso os eleitores focassem no candidato que representa as fábricas de armamento bélico no Brasil por mais de três minutos, teria uma visão terrível deste “senhor das armas”: intolerância, machismo, homofobia, racismo, xenofobia, total desprezo pelos direitos humanos e pela vida.

Um “ser”, se é que se pode chamá-lo de humano, que a qualquer momento pode chutar o balde da democracia e implantar um regime de exceção no país; assim que o Congresso Nacional tirar o pirulito da boca dele. Isso, se ele não provocar antes uma guerra entre os países da América Latina.

Por outro lado, se os eleitores focassem "A Luneta Mágica" nos candidatos que representam somente o capital financeiro, ou seja, aqueles que estão “carecas” de servir aos interesses políticos e econômicos da aristocracia rentista deste país, eles enxergariam pessoas amargas e individualistas, que por sua vez, têm o desprezo total pelas pessoas mais carentes. Homens que estão a serviço da riqueza e da avareza imoral, em detrimento do resgate da cidadania do povo brasileiro e por aí vai...

Não obstante, voltando agora para proposta inicial do artigo, já em “O Alienista” um médico psiquiatra acaba internando quase uma cidade inteira no hospício para tentar entender a natureza científica da loucura; a tal ponto que o personagem e protagonista do livro, Dr. Simão Bacamarte, disse: “loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente”.

Pois bem, agora, do mesmo modo, fico imaginando como seria se o Dr. Bacamarte fosse o médico designado pela Constituição do Brasil para avaliar o nível de sanidade ou de insanidade mental dos candidatos à presidência da república...? “Seria cômico se não fosse trágico”, diria alguma alma penada que adora soltar esses clichês da vida.

Mas, de fato, no caso, o diagnóstico do Dr. Bacamarte atestaria uma loucura devastadora nos olhos do candidato que representa o Código de Hamurabi – aquele conjunto de leis criadas na Mesopotâmia, por volta do século XVIII a.C, baseado na lei de talião, “olho por olho, dente por dente”.

Um candidato que diz que vai revogar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), flexibilizar as normas do devido processo legal, armar ainda mais a população, “legalizar” as chacinas e execuções - feitas sem o amparo legal das excludentes de ilicitudes previstas no artigo 23 do Código Penal brasileiro - ao meu ver e, pelo diagnóstico de qualquer psiquiatra, sobretudo do Dr. Bacamarte, só pode estar completamente louco. Este sim com certeza seria internado, às pressas, na Casa Verde, descrita na obra do escritor Machado de Assis.

Por outro lado, o diagnóstico médico do Dr. Bacamarte dos candidatos ligados à continuidade do governo de Michel Temer (tucanos e Mdbistas), em primeiro plano, atestaria uma normalidade de burguês ocidental. Aquela em que as palavras rebuscadas e eruditas não denunciam por trás daqueles ternos italianos uma doença psíquica e moral, ou seja, a tal da hipocrisia cínica.

Pessoas que vestem um terno e vêm a público: comportando-se como seres “honestos” e “civilizados”, que aparentam de todas as formas possuir uma conduta idônea, bem como uma personalidade ilibada, mas que, na prática, entregam o patrimônio do país para iniciativa privada de mão-beijada e por preço de banana; a fim de se enriquecerem ilicitamente ainda mais...Só podem ser clinicamente loucos. Estes, também, sem dúvida nenhuma, que iriam passar um bom tempo na clínica do Dr. Bacamarte.

Contudo, seja utilizando ou não as analogias feitas com as obras dos imortais brasileiros, com relação aos outros candidatos, a própria consciência crítica do eleitor já basta para diferenciar quem é moralmente doente ou insano... daqueles que querem representar os verdadeiros anseios de todos os cidadãos; com intuito maior de servirem os propósitos constitucionais desta Nação.

*Marcelo Ferraz é jornalista e escritor. Com obras, à disposição dos leitores, no portal Amazon, no site da Editora Carlini & Caniato e da Livraria Cultura.

 

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